• Home   /  
  • Archive by category "1"

Colina Escarlate Critical Thinking

O novo filme do aclamado diretor Guillermo del Toro, A Colina Escarlate (The Crimson Peak), conta a história de Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem aspirante a escritora que conhece e se apaixona por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston). Edith se casa com Thomas e se muda para a mansão dele na Inglaterra onde ele mora com sua irmã Lucille (Jessica Chastain). E lá ela começa a descobrir o passado dos irmãos e da mansão.

O ponto de maior destaque da obra é o seu visual, que já começa se destacando nos figurinos e nas decorações dos ambientes “comuns” no início e que depois se amplifica absurdamente quando eles chegam à Colina Escarlate, nome pelo qual a mansão dos Sharpe é conhecida. Tudo na casa, desde sua mobília e decoração até a decadência devido à falta de dinheiro e aos anos de abandono adicionam um charme assustador a casa.

O roteiro peca no desenvolvimento dos personagens principais que, com exceção de Lucille, são muito mal explorados. Em contraponto a essa falha do roteiro é interessante o modo como é tratado o tema de uma casa assombrada por fantasmas, de maneira a nos deixar com mais medo dos humanos do que dos fantasmas.

Outra coisa muito bem desenvolvida visualmente são os fantasmas, que diferente do padrão transparente e com pouca cor utilizado na maioria dos filmes, aqui são seres que tem um corpo quase físico de diferentes cores e aparentemente até de diferentes matérias, dependendo de onde estão ou como foram mortos.

A história que tinha tudo para ser um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, não alcança esse nível simplesmente pelo mal desenvolvimento dos personagens e por elementos que aparentam estar ali simplesmente porque o roteirista estava com vontade, sem terem nenhuma função maior para a trama. Mas mesmo após esses deslizes o filme ainda consegue se manter acima da média do gênero de terror como ele é tratado hoje em dia, principalmente pela genialidade visual que já virou sinônimo dos filmes de Guillermo Del Toro.

Klaus Langanke

Veja.com (Veja.com/VEJA.com)

  • 1. Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    1/7 Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlate

  • 2. Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    2/7 Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate

  • 3. Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    3/7 Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate

  • 4. Jessica Chastain no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    4/7 Jessica Chastain no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Jessica Chastain no filme A Colina Escarlate

  • 5. Mia Wasikowska e Charlie Hunnam no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    5/7 Mia Wasikowska e Charlie Hunnam no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska e Charlie Hunnam no filme A Colina Escarlate

  • 6. Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    6/7 Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska e Tom Hiddleston no filme A Colina Escarlate

  • 7. Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlatezoom_out_map

    7/7 Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlate (Divulgação/VEJA)

    Mia Wasikowska no filme A Colina Escarlate

Apelidado de mestre do horror, o mexicano Guillermo Del Toro é um diretor detalhista, sensível, que costuma oferecer bons roteiros aliados a estéticas impecáveis. Como provam alguns de seus filmes mais elogiados, como o terror A Espinha do Diabo (2001), a adaptação Hellboy (2004) e o esplêndido O Labirinto do Fauno (2006), vencedor de três estatuetas no Oscar. Com tal currículo, é de se espantar que AColina Escarlate, seu novo longa, seja uma experiência tão convencional, que, apesar das belíssimas cenas e bons atores, peca pelos excessos do melodrama e do didatismo.

Leia também:

Guillermo del Toro confirma sequência de ‘Círculo de Fogo’

Mortos-vivos atacam obra de Jane Austen em trailer

Ambientado em Buffalo, Nova York, em 1901, o romance gótico é protagonizado por Edith (Mia Wasikowska), uma aspirante a escritora, filha do magnata da construção Carter Cushing (Jim Beaver). Edith perde a mãe durante a infância e é a matrona a primeira fantasma a visitar a jovem. Durante a noite, em um quarto que por si só já é de arrepiar, Edith chora na cama enquanto a mãe, um esqueleto preto com vestido e aura esfumaçada, suspira em seu ouvido o conselho: “Cuidado com a Colina Escarlate”. Logo, Edith diz na narração que descobriria tarde demais a importância do aviso.

Avessa aos eventos da alta sociedade, a garota trabalha na tentativa de emplacar seu primeiro livro, enquanto foge do amor, sentimento representado por seu amigo de infância, o bonitão Alan McMichael (Charlie Hunnam). Porém, em uma reunião no escritório do pai, ela conhece Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um inventor inglês que tenta na América conquistar patrocínio para uma de suas máquinas, que extrai a argila vermelha, abundante no solo ao redor de sua casa na Europa, e a transforma em tijolo.

Cushing percebe que existe algo de errado com Sharpe e sua irmã, Lucille (Jessica Chastain). Afinal, só falta um painel pisca-pisca pendurado no pescoço da dupla, com a palavra “perigo”. O empresário recusa a oferta e, mais tarde, ao perceber a aproximação entre Thomas e sua filha, oferece aos irmãos um cheque em troca de sua partida. Edith fica arrasada com a notícia. Mas a dor do coração logo é substituída pelo luto, quando seu pai é misteriosamente assassinado. A jovem então se casa com Thomas e aceita se mudar para a residência dos Sharpe na Inglaterra.

O local é aquele tipo de cenário clichê de filme de terror. Porém, nas mãos de Del Toro, o feio se torna belo: uma mansão escura e em decomposição, com buracos no teto, por onde entram folhagens secas e neve; paredes e janelas tomados por plantas e mofo; e um piso que cede à lama avermelhada que corrói a casa e escorre pelas paredes do subsolo. Ao redor da propriedade, a argila “sangrenta” toma o chão, e no inverno penetra a neve, causando o efeito sinistro, como se um assassinato em grande escala tivesse ocorrido no local. Bem, e é mais ou menos isso mesmo.


Apesar dos muitos avisos, do além e do plano físico, Edith chega inocente e apaixonada à mansão, diz não se importar com a falência da família e oferece sua herança para investir nos sonhos de Thomas. Já Lucille, do início ao fim, não disfarça sua personalidade duvidosa. Logo proíbe a Edith o acesso a todos os cômodos da casa, trancados com chaves protegidas por ela. De cara amarrada e roupas escuras, a irmã bizarra tem constantes acessos de ciúme do caçula. Relacionamento estranho, que contamina o casamento de Edith.

Em uma casa com aparência assombrada, nada mais conveniente que um constante desfile de seres desencarnados. As visões de Edith aumentam e ela passa a encarar vultos, pesadelos e aparições bastante concretas de fantasmas que viveram (e morreram) naquela mansão. A cada sensação ou pesadelo, Edith acorda no meio da noite, sem o marido ao lado, pega um candelabro, e sai pela casa escura. Atitude tão sensata quanto suas tentativas de encarar a cunhada carrancuda. Contudo, logo, Edith – e o espectador – se acostuma e deixa de temer os seres sobrenaturais.

O roteiro conduz a plateia pela mão, de forma excessivamente mastigada. A surpresa principal, não surpreende. E o terror, não assusta. Antes da metade do filme, todas as intenções dos personagens já estão bem claras. Rumores dizem que produtores e o estúdio teriam sido responsáveis por podar a criatividade de Del Toro. O próprio disse, ao site The Wrap, que Hollywood limita o potencial de filmes de terror.

Seja lá de quem for a culpa, fica apenas a frustração do potencial jogado fora. Del Toro tinha em mãos um futuro clássico. Mas colocou em circuito um terror mediano e fácil de esquecer.

One thought on “Colina Escarlate Critical Thinking

Leave a comment

L'indirizzo email non verrà pubblicato. I campi obbligatori sono contrassegnati *